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BIOGRAFIAS

       


Três gerações da família... Na foto Antonio Andrade(pai) , Antonio Andrade Filho “Irmão Turuka”(filho) Antonio Andrade Neto. (no centro
Irmão Turuka)Foto da família.

       Antônio Andrade Filho “Irmão Turuka”, nasceu em 26 de janeiro de 1924, em Campo Maior, na casa de seus pais na Praça Rui Barbosa N°44. Era filho do Coletor Federal Antônio Andrade e Ana Pereira Andrade (Anita), primos em 3° grau. Da união do casal nasceram Irene Andrade, funcionária pública federal, já falecida, e Yvette Andrade, religiosa da Ordem das Irmãs Pobres de Santa Catarina de Sena. O casal adota um quarto filho, David Melo Andrade, já falecido. Filho legitimo de Estácio Melo e de Dona Maria Melo.
       Irmão Turuka Teve uma infância comum, como a dos demais garotos de sua época; subindo em árvores, banhando em rios, destacando-se por ser o mais levado dos irmãos.
         Todos os dias, junto com as irmãs, ao cair da tarde com as obrigações escolares cumpridas, iam para a casa dos avós matemos Jesuíno Regis Pereira e Dona Ana Genuíno do Monte Pereira (Sinhá). Vez por outra iam até a casa dos avós paternos Camerino Olegário de Andrade e Dona Rosa Custódio de Melo, que residiam ao lado da igreja do Rosário.
        Ainda bem jovem, sofre um grave acidente durante um passeio de bicicleta e cai do alto da ponte do Rio Surubim, ferindo-se com gravidade. Em busca de ajuda, é levado por seu Pai ao Rio de Janeiro para tratamento de Saúde. Retoma a Campo Maior sem melhoras, é levado então a convite de seu tio Hemetério Pereira para a cidade de Ubajara - Ce. Com o clima agradável da cidade e submetido a um longo tratamento através da fito terapia , retoma a Campo Maior com a saúde restabelecida.
         Fez seus primeiros estudos na Escola Valdivino Tito, situada na época, ao lado da residência de seus pais, onde funcionou o Novo Hotel. Estudou também na sua infância na escola de Dona Josefa Lima, indo complementar seus estudos no Colégio Diocesano em Teresina, em regime de internato. Algum tempo depois foi residir junto com as irmãs, em casa alugada pelo pai sob a responsabilidade da sua avó materna, Dona Sinhá sua Tia Anísia Pereira.
       Ao final da década de trinta, o jovem rapaz retoma a Campo Maior. Inteligente, bonito, exímio dançarino e com uma vida social muitointensa, começa a despertar nas jovens da sociedade grande interesse. Era o que se chamava na época de um grande partido. Algum tempo depois, enamora-se de uma bela jovem, eleita na época em concurso, miss Campo Maior. Descobre nela grandes virtudes que a fazia diferente das demais; mesmo enfrentando muitas restrições por parte do seu pai , casa-se com a Dona Raimunda Rodrigues no dia 11 de novembro de 1944.
       Após o casamento, vai residir na casa dos pais, passando a encarar novas responsabilidades. Sem deixar de lado o gosto pela boemia e ao lado dos amigos inseparáveis Bona Neto e Aluizo Portela, cultivava ainda alguns hábitos de solteiro. Seu pai, chefe político, líder do PTB na cidade, na tentativa de ter um sucessor na política, impõem ao filho a candidatura de vereador, encontrando neste forte resistência. O mesmo não fez campanha, não pediu votos, nem compareceu à sessão eleitoral para votar, no dia do pleito se refugiou no bar do melhor amigo, Bona Neto. Não se elegeu, sua vocação não era mesmo a política e sim a luta a favor dos mais necessitados.
        Sua atividade profissional sempre foi voltada para o comércio e com a ajuda do Pai, desenvolve várias atividades nesta área. Em 1947, se transfere para a cidade de Altos com sua esposa e o primeiro' filho do casal, Antonio Andrade Neto. Inaugura sua primeira farmácia com o nome de "Socorro Farmacêutico Santo
Antonio". Um ano depois nasce Yvette, a segunda filha do casal. Depois de enfrentar muitas dificuldades retoma à sua cidade natal no final da década, deixando em Altos uma legião de amigos. Em Campo Maior, foi residir na Rua Senador José Euzébio, 834, onde funciona hoje o Banco do Nordeste. Na antiga Praça do Relógio instala a " Farmácia Popular," onde conquista uma grande freguesia graças ao seu carisma e aos conhecimentos como farmacêutico prático. Dava sempre uma atenção especial à população mais carente, realizando consultas e distribuindo medicamentos para os que não podiam comprar.
        No ano de 1950, nasce a terceira filha, Maria do Amparo e dois anos depois o quarto filho, Paulo de Tarso. Por volta de 1955, diversifica suas atividades, adquire um caminhão Ford para o transporte de passageiros com uma linha regular entre Campo Maior e Floriano. A agência do ônibus funcionava na Av. Demerval Lobão e tinha como colaborador seu amigo José Onofre; A iniciativa dura pouco tempo, o caminhão é vendido e ele retoma às atividades anteriores.
        Fez ao longo de sua vida importantes amizades, porém uma delas, em especial transforma sua vida. Ao conhecer o Dr: Eli Nunes passa a estudar com ele a Doutrina dos Espíritos. Reúne logo depois um grupo de amigos, entre eles: Dr: Hilson Bona, juiz de direito; Dr: José Francisco, Dona Margarida Lobão , seu esposo e outros, para o estudo e a prática da Doutrina. Com o aprofundamento dos estudos, sente a necessidade de se reformar moralmente. Abandona alguns vícios e uma grande mudança acontece em sua vida.
Incentivado pelo amigo Eli Nunes, funda em 12 de março de 1957, o Centro Espírita Caridade e Fé. Em terreno doado por seu pai, constrói uma área destinada às reuniões doutrinárias, de estudo e prática mediúnica. Em tomo do espaço, surge depois uma vila de casas, construí das por ele para abrigar deficientes físicos, leprosos e anciões - criaturas excluídas que não tinham onde morar. Passa a cuidar destas pessoas com muita dedicação, como se fossem membros da sua própria família. Neste ano nasce a quinta filha do casal, Irene, uma homenagem à sua irmã mais velha.
         No ano de 1961, uma perda irreparável , o Coronel Antonio Andrade, que tinha esta patente concedida pelo exército nacional, vem a falecer, vitimado por um enfarte. Continuando sua luta, transfere sua farmácia para a Av. Demerval Lobão, atendendo preferencialmente a população mais carente. Em 1962, seu filho Antonio Andrade Neto se transfere para Fortaleza para continuar seus estudos, iniciados no Ginásio Santo Antonio. Em 24 de dezembro de 1962, adota como filha uma menina de dez meses, negra e de família muito pobre, a quem deu o nome de Blandina. Em 1963, nasce mais um filho, Simão Pedro. No ano de 1965 é iniciado na Maçonaria juntamente com os amigos Dr: José Laurindo, Dr José Francisco Bona, Dr. Altivo da Costa Araújo e outros, na cidade de Teresina.
       Em abril de 1966 quando parecia se recuperar da perda do pai, um novo abalo; seu filho Antonio Neto, que já residia em Salvador, onde estudava e trabalhava no importante jornal" A Tarde" , morre em um terrível acidente juntamente com 14 colegas de trabalho. O duro golpe o deixa bastante arrasado, agravando o seu estado de saúde, pois seu coração já apresentava sinais de fraqueza.
      Nasce Simone Maria, sua última filha, em 1968, vindo a falecer no ano seguinte, vitima de um acidente em sua residência. Graças a sua imensa fé, prossegue sua vida dedicando-se cada vez mais aos pobres da sua terra. Cria nas dependências do Centro Espírita uma funerária. Adquire uma pequena carreta com uma urna funerária para transportar as pessoas carentes até o cemitério, para que estas não fossem levadas pendurados em rede, prática comum na época entre os mais pobres. Atendia diariamente dezenas de pessoas no Centro Espírita Caridade e Fé e na Farmácia Popular que iam em busca de alimentos, medicamentos ou simplesmente de uma palavra amiga. Exerceu este papel como um sacerdócio. Realizando visitas nos lares mais pobres, hospitais, cadeia pública. Mantinha na cidade um intercâmbio com a Associação dos Cegos do Piauí, meio pelo qual enviou alguns jovens deficientes para estudar em locais onde existiam os recursos necessários. Sempre buscava amenizar o sofrimento de seus irmãos, especialmente os excluídos.
      Foi um grande colaborador do jornal "A Luta," escrevendo belíssimas crônicas com  objetivo de esclarecer e alegrar seus leitores; foi também correspondente da Rádio Clube de Teresina e escreveu alguns artigos em jornais da capital. Era também rádio amador licenciado pela LABRE. Foi um dos fundadores e organizadores do Sindicato dos Arrumadores de Campo Maior e neste período participou de forma ativa da luta contra a ditadura militar, se posicionando de forma contrária ao regime; ameaçado de prisão, enfrentou a policia e graças a interferência de amigos, não foi levado preso para o quartel do exército, sediado na cidade. Foi um dos idealizadores da construção do monumento dedicado aos heróis do Jenipapo juntamente com seu amigo Otacílio Eulálio, promovendo campanhas e escrevendo às autoridades competentes no intuito de sensibilizá-los para causa.
        Era uma bela manhã de domingo, do dia 28 de junho de 1970, a seleção brasileira tinha conquistado o tricampeonato mundial de futebol. No país o clima era de festa. Irmão Turuka e um grupo de amigos se preparavam para um agradável passeio na Serra de Campo Maior, entre eles: Prof. Raimundinho Andrade, Antonio Almeida, Bona Neto, Ferreirinha e Gesuino; era um passeio só para adultos, houve então um impasse, Irmão Turuka só iria ao passeio se levasse junto o seu filho caçula Simão Pedro de seis anos de idade, resolvido o problema, segue o grupo em busca de diversão. Após o retomo da serra, um novo passeio até o sitio Cascata, juntamente com familiares. À noite, no interior da Farmácia, ao abrir alguns caixotes com seu filho Simão Pedro, uma dor aguda no peito interrompe o trabalho e mesmo com os cuidados do amigo e médico Dr. José Francisco, não resiste ao violento enfarte. Cercado pelos filhos, pela esposa e pela mãe, fecha seus olhos para o mundo terreno. Seu cortejo é acompanhado por grande multidão, seu corpo é levado até ao Centro Espírita para as últimas despedidas. Eram muitos os órfãos. 0 Pai da pobreza como era conhecido por todos, tinha partido.

 
 

       



  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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